terça-feira, 26 de março de 2013

Outono jovial


Deixo os dias cinzentos para o outono
Quero que o mundo tenha as cores do encantamento
Que aquela linha de alegria azul circunde as esferas

Neblina que voa
É sensação de garoa, já perdida
Já rendida
Nas redes dos laços pintados
Nos abraços desconcertados
Nos beijos traçados
Apertados
Até sufocar
Até chorar de pura alegria
Aquela alegria ...
Contida no potinho esquecido
Debaixo da nossa cama
Que ainda nem temos

quinta-feira, 21 de março de 2013

Sem novidade lunar


Procuro pelas horas que já se foram
Percebo a noite que chega sem novidade lunar
A sombra já não altera os sentidos
A visão um pouco turva consegue ver um pouco além da superficialidade
As cores são de tons escuros
A arte já não é o bastante
O brilho não provoca mais contemplação

Não é tristeza
Não é saudade
É reflexão dos pensamentos que estão no limite do próprio pensar
É deixar tudo no lugar
Sem mais interferir
O silêncio reina
A solidão ensina





quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

A solidão que fortalece



Preciso de um tempo a sós
Preciso que a água me esconda, pois sob a pronfundeza do silêncio posso melhor recompor meus sentidos
O sol desses dias me provocou, mostrou-me seu poder, sua fúria diante de minhas ásperas palavras ...
Há uma sentença para minha pessoa, para meu orgulho ferido

Preciso do silêncio das sereias
Um silêncio que esconda o grito, o silêncio do sorriso que camufla a indignação
Preciso de mais tempo na minha cama, abraçada ao travesseiro da minha preguiça lenta ...

Levanto minha bandeira - quem mais estará ao meu lado ?

O canto perdeu sua graça divina
O encanto feriu-me com cordas duras do laço da incompreensão
O sono torna-se melhor, um caminho de descanso dentro da calma em ficar no nada
A mente, confusa, perdeu-se da sensatez que nunca esteve presente de fato.

Durmo até que se mova a terra das flores distantes e toque minha face
Durmo para embalar-me na santa tranquilidade dos dias perdidos
Durmo para sonhar
Durmo para viver daqui a pouco

Acordo sem sofrimento
Acordo com a voz tímida
Acordo para não me perder nos pensamentos

O caminho da navalha vence todos os peregrinos
O caminho se mostra como adversário
O caminho, no entanto, é o que me vence, o que me mata, e o que me liberta...


quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Rainha interna


Mamãe Rainha
Que com suas lindezas de sabedoria nos ensina através das águas profundas que a vida nos impõe
Maravilha de presenaça divina, que com alegria nos permeia do sal, do som que vem das águas

Rainha interna
Deusa eterna em nós
Energia que nos transmuta
Firmeza que opera nos dias sem trégua

Ensina-me mais sobre seu silêncio
Cativa-me para seus braços e abraços, aconchego místico, coração que acalenta
Coloca-me no ritmo dos tambores que tocam a vida, faça-me escutar a melodia que sempre vibra

Oferendas reais
Flores, espelhos e pedaços do coração

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Pintura celeste



Naquela tarde no parque, quando vi e registrei. Alegre deveria eu estar...


Todos os dias o céu me provoca com suas cores

É pintura celestial na perfeita obra do artista
É alegria para os olhos
É alimento de esperança
É beleza que irradia ao finalizar mais um dia

Alegro-me na presença do fim

Semente que brota no outro dia é recompensa para quem espera
Sol que vai e sempre volta é força para nunca abandonar

O cinza vira amarelo
Árvora vira personagem que acena para também dormir..

E sempre há uma cor que não tem nome
Naquela mistura que a imaginação vê quando vazio fica mente
Quando os pensamentos já não pensam...

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Olho para trás mas prossigo mais um pouco


Entre tantos trilhos
Um que acompanha um rio
Entre tantos tropeços
Um caminho que só tenha pedras

A arte de andar é a própria arte do movimento, lei eterna que cruza o infinito

Olhos curvados sobre os passos é andar atento, mas perder o vento...
Andar com os olhos voltados para as montanhas é não ver o próximo buraco que se aproxima...

Mas só andar é em si o maior desafio
Carrego minha mochila, cada vez mais vazia
Trago dos lugares pessoas e lições
Trago de lembrança, aquela pessoa que fui

A teoria deixa lugar para a experiência sentida em todos os detalhes
O silêncio da contemplação
O descanso na pedra por segundos confortantes

Que a viagem também seja interna

Que os caminhos trilhados provoquem rupturas ao extremo

Vi um mundo melhor na solidão da mata fechada
Vi pessoas simples distribuindo alegria e cobertor na singela educação de seres evoluídos
Vi poesia feita só pra mim
Vi o calor do êxtase nas descobertas de algumas coisas

E o mundo sempre se expande
E enquanto escrevo, ele se expande mais um pouco ...







quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

eterna maya de todos nós

Há um silêncio pelo qual eu ainda espero
Um motivo sem sentido para entender o que pergunto
Vi mais pedras, mais estradas atraentes
Quero um atalho que seja só meu

Querer o próximo alegre é não ver que lágrima também limpa

Ver o caminho é descuidar um pouco de quem anda ao seu lado
É perder-se dos outros
Muda-se a aparência e o interno fica o mesmo
Muda-se as palavras, mas no silêncio há um grito muito maior

Muda-se atitudes e no fim, todos ficam iguais

Eterna Maya
Atraente e doce ilusão
Pequena porção de realidade misturada com o amargo preço da vida sufocada
Não é liberdade, é apenas uma opção por escolher não livre ser...

O livre-arbítrio impera ?

E os olhos se fecham pois o prazer é recompensador
E os sonhos ganham sentido nenhum
E a realidade se vai

E a poderosa sombra do irreal em todas as sua mais variadas alternativas, fica estabelecida mais uma vez