terça-feira, 16 de outubro de 2012

Sempre foi assim



Minhas idéias abstratas, que me confundem diariamente
Raízes mal seguradas nessa terra que me abandona pelo céu
Folhas que já se foram
Sem frutos, sem sementes, sem mais nada
O pó que volta, o vazio libertador que impera
A dúvida entre não fazer e tudo tentar
A loucura entre ficar ou fingir que está ainda aqui...

E isso é tão delicado
É tão meu, tão desigual, melancólico ...

Coloco-me no palco mais uma vez
Permito-me arriscar novamente
Dou-me mais uma chance de ser
Olho para essas raízes ingratas, que teimam em voar
E olho para o eterno lá em cima, que tudo
faz para me
guiar


obs: um dia moro numa nuvem, crio raízes dançarinas
e provoco tempestade de alegria




 

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

A culpa foi do chão


Chega hora em que quebrar um vaso não é loucura
É apenas o grito em silêncio
A raiva estampada na mudez dos móveis
É o que se extrapola, mas que não foi dito
É a quebra, a queda
O vaso trincado que sempre será lembrado
A culpa do chão, por ser tão duro
A rigidez das palavras descarregadas, o verbo que vira
sangue ou pedaços espalhados
Alguns recuperados, outros nunca mais
A falha na reconstrução
O labor pra deixar novamente cada pedaço em seu lugar
...



sexta-feira, 31 de agosto de 2012

todas as formas de amor


nosso amor a gente inventa

Amor meu tem asas, tem gostinho de vento que bate na janela e que sempre tem lugar para mais uma companhia.
Amor meu tem cheiro de liberdade, tem selo de qualidade, selado divinamente pela evolução.
Amor pode ser preso também, por isso chora, grita com desespero de quem perdeu uma parte da asas.
Mas sempre é só uma parte, pois amor é esperto como gato, vira água rapidinho, um passarinho camuflado de borboleta, vira milhões, que nem sei mais sua origem imemorial...
Amor é céu estrelado, pra vagalume iluminar.
Ilumina com lume, com beleza invisível, com cortesia de um barão sem brasão, com cortejo de circo que acabou de surgir na vila.


Amor sempre surge, ressurge, com sustos ás vezes,
mas susto de criança que vê palhaço engolindo pipas
e distribuindo as asas que foram perdidas...

sábado, 25 de agosto de 2012

É só mais uma pedra




No meio, início e no fim da jornada
Aquilo que preciso vencer
Beleza efêmera
É só uma pedra
Pequena, leve, sem cor exuberante
Nada de atraente
E no entanto, o tropeço torna-se inevitável
Mas ainda é só uma pedra
Dou mais um passo
Vou para o lado, remexo os passos, mudo o andar
Evito correr
Mas é só uma pedra
Mais uma, entre tantas que já ficaram para trás


terça-feira, 21 de agosto de 2012

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Saboreio

O gosto doce da mordida.
O tempero suculento na hora da refeição.
O sabor excêntrico do vinho velho, e bom.
O desejo de saborear os velhos gostos de sempre.
A sensação de prazer diante de uma mesa farta.
A fruta fresca que alimenta a alma.
A carne que fica só no quintal.
A sobremesa beslicada antes mesmo do prato principal.

Meu mundo é um cardápio que não tem fim ...

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Nesses dias não sei quem sou


Nesses dias em que a chuva está fazendo falta, sinto-me como uma planta ao relento
que tira a visão.
Num triste dia sem o bálsamo da água.
Uma força que se esvai pouco a pouco.
As raízes ficam expostas, ou escondidas pelo assombro
do calor dos dias mal terminados.
Uma gota faria diferença.
Um brilho de nuvem encobriria meus pensamentos
repletos de devaneios pertubadores.
Uma chuva singela alimentaria minha alma.
Uma sombra esconderia minhas folhas fracas.
Mas o Sol não perdoa, o clima seco deixa a garganta
sem palavras, sem o som e com isso sem eco
nenhum.
.
Há que se esperar um pouco mais.
Perder algumas folhas e murchar até não sobrar mais nada.
O que fica é só a semente que ninguém vê...