quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Bons ventos sempre chegam

Tranca-se no quarto para que ninguém lhe faça companhia. Arranca a máscara escondida no guarda-roupa para todos serem felizes. Menos ela. E sempre em desespero eterno por ter que calar quando a voz quer o mundo, quando os olhos pedem para que sejam vistos por trás daqueles buracos no pedaço de retrato falso e mal pintado. É claro que isso a deixava triste ...

De saia indiana.
E cabelos soltos.
Com a poesia no pé e o destino na mão.
Assim ela seguia, seguia quem não conhecia.
E falava como quem não tem paredes no coração.
Seu muro era o mar e já se encontrava pronta pra atravessar.
Ás vezes sentia um mero avermelhar na face quando alguém a chamava de "avoada".
E ela era mais ao menos assim - "avoada". Um termo absolutamente normal para quem já sentia o vento embaixo dos pés .

E uma alegria começou a brotar - que nem vento quando trás notícia boa...


Imagem: Google

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Bailarina Surrealista

E se eu querer berrar e perder o controle, me aceita assim também
Pois nem sempre saberei andar como bailarina numa corda invisível
Numa corda que me mata, com a dor voltada para meus
pés que insistem em se firmar ...
Que balança só para me ver cair
Mas que me ama de tanto me ver tentar...


Imagem: Google

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Essa é para você

E então me carregou para onde
eu não queria ir
Veio meio sem jeito e
abriu a porta de um peito bem vazio


Antes tudo tão deserto, sem graça
e sem sal
Hoje a tempestade transformadora, a chuva que lava
E leva à alma um encanto um tanto estranho


O que tinha significado, perdeu o sentido
O que era feio ficou diferente
O que era lágrima virou prazer
O que era guerra virou a calmaria vista nos oceanos


E de tudo o mais belo
É sermos apenas um em meio à multidão
É nos entendermos sem dizer absolutamente nada
É saber que vamos, mas que sempre voltamos

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

o vazio liberta dor


Há ainda que se queimar muitas coisas.
O velho preceito, os antigos pactos com um tempo que era
desconhecido.
O amanhecer lotado de entulhos, velhas coisas que adquirimos.
A falta de coragem para durante o sono ter a capacidade de apenas
sonhar.
Há ainda uma violenta força oculta
que precisa urgentemente de total aniquilação.
O que eu sabia e o que eu julgava.
Há que se ter em mente o nada,
um vazio libertador.
Uma indiferença diante
dos outros, mas
principalmente diante
de mim.
Indiferença carregada apenas
de esperança.

"Sim, eu realmente espero o dia em que ser livre
das coisas que carrego possa me dar o céu como
presente para quem ficou na terra tempo demais..."

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

:na luta de saber o que se é:


E minhas mãos falam o que meus ouvidos não escutam.
E cada um segue seu curso na completa falta de retidão, de acerto em meu próprio corpo ...
Se nem eu me entendo, porque pediria isso dos demais?
É tudo curvo, tudo em linhas cortadas pela ambiguidade de que sou feita...
Minha boca pede mais justiça, mas
meus ouvidos não escutam o choro do inocente.
Meus olhos vêem o que é errado e minha boca não consegue pronunciar as
palavras de justiça ditas nos segundos atrás.
Minha mão toca o que é santo e
meus olhos se fecham para tal contemplação.
Minha mente tem vontade de mundança e
meu corpo se entrega à inércia.
Meu coração sente o caminho do amor e
minha razão não me deixa prosseguir ...

E a luta interna continua sem nenhuma estabilidade.
E o que acontecerá no final de tudo isso?

Nós

Encontro-me num caos, perdido e preso naquilo que eu sou.
Sinto-me como um doente, sem lembrança, apenas saudades...
Olho tudo ao redor e vejo a cor cinza e fria dos dias que a realidade domina
sem piedade, sem dó, com nós na garganta prendendo as palavras doces, com nós no coração
que ficam presos todos os sentimentos...






quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

felicidade nas palavras que eu gosto

Parece sempre que carrego aqui dentro mil vidas que nem foram minhas. Vidas que se foram, vidas que me largaram no caminho ao me verem escolher outros bem diversos. Ao sentir todo tempo passando e indo, sinto que a mudança foi a mais doce, a mais amarga e a mais impossível de ser controlada, de toda minha existência, dessa existência, um tanto pequena, ínutil algumas vezes, uma existência encasulada com a mudança em segundos assustadores.
Gosto de escrever sobre o que se passou, do tempo vivido e de minhas teorias complexas sobre minha mente sempre em colapso. Mas hoje, quero escrever sem amargura, sem culpa, apenas deixar as teclas fluírem, livres, desatentas, ás vezes realistas demais, mas sempre com o bom humor que estou aprendendo nesses dias instrospectivos. O que passou, passou, oras.
Que fique apenas o gosto do aprendizado e a sabedoria de compreender que cada degrau é sempre para cima. Que meus desgostos se tornem pontes para atravessar para o outro lado e levar todos comigo, até mesmo você. Que o passado passe, que vá embora, que fique a lembrança do que vivi mas sem a sombra do desespero ao recordar que poderia ter feito diferente. Não fiz, não era pra fazer. Hoje farei, eu prometo, eu lembrarei dessa promessa.

Não foram amizades falsas. Falsidade não existe, mentiras não existem, tudo é um campo de vibrações e posições dos pensamentos em frequências energéticas.
E quando não puder retirar uma lembrança triste, que eu possa sempre me lembrar que a escada continua, com todos os outros degraus e que sempre terei outros tropeços por aí...

Que a vida venha, que o sorriso não vá embora - cabe lugar pra todo mundo aqui!
Que meu coração fique vazio - quanto mais vazio, melhor!
Que meus olhos fiquem fixos num ponto um pouco mais além!

"Cada um tem o seu passado fechado em si, tal como um livro que se conhece de cor, livro de que os amigos apenas levam o título" (Virgínia Woolf)