terça-feira, 24 de janeiro de 2012

era um caso sério...


um floripôndio em machu picchu



E não tinha jeito.
A menina gostava mesmo de se
deslumbrar com o que ninguém percebia.
E gastava todas suas horas contemplando
um amarelo antigo,
misturado com um verde meio azulado
(coisas do céu querendo ficar mais perto...) 
e com um cheiro
inebriante...

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

"procura-se por asas fortes"



É preciso um pouco de ousadia para abrir o que estava trancado.
Voltar aos velhos e bons costumes de quem um dia foi e voou, mas que cedo sentiu cansaço...
Há uma urgência na necessidade de (re)conhecer o que antes fazia os olhos vibrarem.
Precisa-se com extrema delicadeza de que a tampa da vida se abra
e produza o velho jeito de sorrir diante do que já sabia, mas apenas preferiu não lembrar mais.


O antigo poema rabiscado no papel de cinema.
O pensamento de uma viagem que só se concretiza durante os sonhos
numa noite pertubadora e inquietante.
A coragem que logo se desfaz na primeira chance.

Um pouco de ousadia não basta, que se crie então um punhado de asas
e que nos arranque da lamentável e triste lama onde se encontram nossos pés ...

sábado, 21 de janeiro de 2012

talvez uma complicada solução

Tudo está errado. Completamente errado. As caixas estão cheias de entulhos e os lixos sufocados de coisas valiosas. O que era raro literalmente ficou comum e assim a vida passa a imitiar uma cifra realista e nada confortável. Uma poesia provocante como é próprio do homem. Todos estão parados e a juventude consegue limitar o que antes já era cosiderado fraco demais, obsoleto ao extremo. Tudo enferrujado. Todos enclausurados numa prisão que ninguém sabe ao certo quem foi o seu construtor. E ninguém procura saber. Ninguém quer saber.
Meus sapatos foram trocados (ou são esses pés que não me atendem mais?). A tv matou-me com os anos passados e fui sugada por uma falsa idéia de liberdade que a religião me apresentava. Fomos colocados longe do ninho, fomos pisados até sair de nós toda ilusão de um mundo melhor, toda água da vitalidade. O fim chegou e ninguém percebeu. Não percebi. Não perceberemos jamais. E assim, somos mais uma vez empurrados pela nossa própia vontade ao poço mai próximo e queremos mesmo e ficar lá, no fundo onde nada pode nos achar e onde todos ficam a nos observar ...
E rodeada pelos infortúnios, no meio ao lodo, não há mais o que se fazer.
O jeito é fechar os olhos para ver melhor e deixar que o lodo produza o mais belo de todo os lótus, pois até os deuses foram feitos da lama da terra ...

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

retrato inútil

Cores, retratos e ainda não
sei bem
quem sou.
Fujo da inutilidade da
descrição e
caio diante do intrigante
espelho que me deixa na nudez da
minha própria exatidão.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Faço ao andar ...

Sempre tentei desenhar meu próprio caminho e no final de tudo descobri que ele só se fazia ao contorno dos meus passos. Quanto mais caminhava, mais desenhado ficava. No começo de mais um ano, estou conseguindo enxergar o que antes era embaçado demais, tudo muito difuso e nada era claro. Mas o tempo e todas as suas graças me veio em rodas flutuantes e o silêncio tornou-se meu maior deus.
Vi que pintei com cores erradas, passei da conta algumas vezes, mas nada que deixasse o caminho menos colorido, pois até a tristeza tem sua cor singular e bonita também. Ás vezes, ela é a que mais dá o tom importante no quadro da vida - da minha pelo menos.
Num sentido mais amplo, esse ano será bom - meu maior desejo. Os outros virão logo em seguida.
Quando se está no 'bom' grau do que é para ser, o tudo mais se torna resto. Que venha o que vier com todas as mudanças, com mais um ciclo em sua renovação e mais um traçado torto e humano para ficar na memória.

"Todos estes que aí estão atravancando o meu caminho,
eles passarão ... eu passarinho!" (Mário Quintana)

domingo, 25 de dezembro de 2011

o que sempre sinto nesse dia


Não é ser piegas, mas nesse dia sempre ficamos mais introspectivos.
Lembrar de mais um ano que está passando e também lembrar da nossa religião, muitas vezes abandonada ou jogada de lado diante de tantos afazeres terrenos. Nesse dia, por um minuto que seja, todos nós desejamos ser melhores, sermos mais compreensivos, mais humanos. Dia que nossa generosidade está ampliada. Parece até que tudo o que fizermos hoje será colocado em questão, diante de um julgamento divino. Hoje queremos ser o que nossa essência pede.
Os abraços são verdadeiros, o pensamento é de alegria e de felicitar os desconhecidos.
Pelo menos a maioria pensa assim, e isso é bom. Mas bom seria se essa maioria pensasse assim todos os dias...
Quem sabe os mais céticos não reconheceriam que não se trata apenas de um dia estabelecido pelo sistema, mas de dias que nossa espiritualidade dominará, nos guiará e sempre será natal? poi o Natal Verdadeiro é aquele dia onde o Cristo Íntimo, em cada um, nasce e pode assim, crescer em nós!


Hoje estou nostálgica, mas estou também esperançosa...

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

o que mais preciso jogar fora?

O quarto arrumado.
Tudo em ordem.
E tudo o que não servia, já foi ensacado e colocado lá na rua.
Mais um ano que me pede essa atitude, de abrir mão do apego à uma folha de papel, à propaganda daquela festa que nunca mais vai acontecer ou dos folhetos teatrais que não perdia um dia ...
Mas o que fazer quando é hora de jogar o que fica aqui dentro?
Ou tentarei fingir que um quarto vazio satisfará meu pensamento?

Como lançar para longe o que não mais se quer pensar?