terça-feira, 6 de março de 2018

Agora e para sempre


A partir de hoje não mais levarei os pesos das ações passadas
Pequei, paguei - estou livre!
Falei palavras duras, agi com orgulho doentio
Olhei com inveja, compreendi apenas sob o meu ponto de vista
Não amei, não orei, não cumpri com a palavra dita sem pensar

Faltou, claro, mais pedidos de desculpas
Ficou ausente, óbvio, a reparação do dano

Mas o tempo curou - eles e eu!
Como a eterna culpada, aceitei esse título
Tive milhões de justificativas que a terapia me mostrou
Traumas, excessos, personalidade sob um signo forte
Carmas de outras vidas...

Aceitei o passado, conversei com ele e ele me provou ser necessário...

E por mais cicatrizes que ficaram
E por dramas escondidos sob as indiretas familiares
Eu carrego hoje, apenas a experiência
Carrego também mais silêncio
Trago comigo mais respirações

Aceito meus erros, aceito os erros alheios

Confio na promessa do tempo
Acredito na força da evolução

Por isso, não levo mais o passado
Apenas o permito ficar lá, olhando-me crescer e frutificar
Digo adeus, assino o contrato da liberdade...

Pego a leveza da mochila que se esvazia todos os dias
Com uma mão seguro minha filha
Com a outra olho para os roteiros que vamos construindo na caminhada...

Com alma limpa
Coração leve
Mente pura
Força no espírito



sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Quando um ano acaba é hora de morrer



Quando um ano acaba é hora de morrer

Morrer ao que ficou estragado pelo caminho

Morrer para as perdas mal engolidas e compreendidas

Morrer para os tormentos que assolaram a nossa mente

Morrer para o que eu não fui

Morrer para o tempo que perdi

...

Para nascer depois, qual a fênix que surge de suas próprias cinzas

A derrota ensina, a perda abre espaço para o novo

A dor aumenta a compreensão

O morrer para o renascer...

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

...



É no mundo interno que me conecto com as partes do meu Ser ainda desconhecidas

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

O preço do silêncio

Repare bem no que não digo

O meu silêncio grita
A minha garganta me prende
E mais uma vez me vejo engolida pelas palavras alheias e pela necessidade de me calar

Controlar o fogo interno para não queimar o outro me faz
queimar meus dedos, minha boca e meu coração...

Imagem retirada do Google

terça-feira, 25 de outubro de 2016

A necessidade de escrever



Voltar a escrever é como colocar o pé na estrada novamente: você sabe que aventuras, encontros e descobertas são peças obrigatórias. E você vai. Pega a caneta, desliza a mão sob o papel limpo, quase novo se não fosse os borrados do tempo entre seus últimos escritos e o dia de hoje.

Escrever é a chave, registrar é preciso. Colocar a mente na folha e acabar com o silêncio do esquecimento. Esquecer suas palavras é ficar apenas com a sua metade.

Olho para a estrada sensual e me vejo trilhando o território.

Olho para a folha em branco e me vejo trancada em mil palavras desconexas. Lindas, mas desconexas.

Há que se permitir ser contraditório, ás vezes.
Há que se deixar levar pelas letras que estão se renovando.

"Se você vai tentar, vá até o fim, caso contrário, nem comece" (BUKOWSKI, Charles)

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Enfim veio a Luz...


E eu que não acreditava em coisas boas
Ganhei a melhor dádiva

Felicidade não é coisa, é pessoa
Tem nome, sobrenome, olhos azuis e um lindo sorriso

Tudo faz sentido agora que a Luz esta comigo 

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Seus olhos não viram

Você perdeu o momento de nós dois

Não viu minha distância aumentar ?
Não reparaste no meu silêncio no meio da multidão ?
Em que lugar seus olhos estavam, que não me viram indo embora ?

É como deixar o bolo passar do ponto no forno ...
Já não tem mais o gosto saboroso da espera ...
O amargo da rotina, que nem mesmo existia ...





quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Não se pode

Não se pode ter o mesmo som de outrora
Não se pode ter o calor que foi repartido, o abraço que foi dado
Não se sonha novamente; um sonho sonhado é mais um passo alcançado
Não se sabe do porvir e do passado não se sabe as antigas respostas

Nada se sabe e disso saberemos
A certeza é ilusão perdida, amor de um ego que tem medo
Não se tem dados sobre a mesa e a vida não é um jogo determinado
Não se pode ter controle e a loucura do não saber vence mais uma vez

Não se pode ter esperança, pois o que foge do agora permanece incrivelmente impossível
Nada se tem e não se pode ter mais do que isso ...

Um pouco do vazio quando não se tem nada nas mãos


domingo, 22 de setembro de 2013

terça-feira, 30 de julho de 2013

domingo, 21 de julho de 2013

Memória



A imensidão interna abre meus olhos para o que se encontra afastado
Minha percepção se ajusta nesse diálogo com a natureza sempre mãe

É belo respirar o bom ar
É bom lembrar daquela sensação

Salta-se no caminho
Sempre na vertical ...


quarta-feira, 17 de julho de 2013

Recordação

Assunção/Paraguai.

E a verdade se esconde lá no alto
Onde aos olhos escapa
Onde o detalhe é sempre perdido

Ao iniciado o caminho é entregue
Aquele que recusa os primeiros passos
Cai no esquecimento diante dos deuses




quinta-feira, 20 de junho de 2013

Um sopro apenas


Eu quero aquele fogo que queima internamente
Aquele brilho que falta no coração arrependido
A força de manter-se em pé em dia de tempestade

O frio intenso provoca dores e lamentos
Tremer até não sentir a carne
Lamentar até perder-se da memória

O esquecimento faz-se necessário para quem não quer pensar
Pensar é complicado para quem não quer falar
Falar é perigoso quando se solta muito as palavras

Os lábios escondem o que o silêncio mostra
É difícil entender, mais ainda compreender

Eu quero a liberdade que o vento me mostra
Eu quero um lampejo de liberdade
Uma faísca de liberdade
Um suspiro que seja
Um sopro, apenas.

sábado, 15 de junho de 2013

O que preciso aprender


Sou uma parte dos elementos
De coisas que nem entendo
Misturas secas, folhas perdidas
Na imensa plantação que é a vida
Produzo o doce dom do querer
Com minha veia aberta para o bom crescer ...

sábado, 25 de maio de 2013

Das cinzas do que sou


Naquele dia em que vi a cinza, observei meus pedaços pelo chão.
No lugar da bruma, a fumaça.
No lugar do vento, o vazio. Sem placas indicando o caminho.
Sem aquela voz que o vento sempre me trouxe.

Vejo com cuidado o que sobrou.
No altar, o sacrifício.
O compromisso diante da imensidão.
O infinito que perdura.

Aquilo que me conquista é aquilo que eu nem sabia




quinta-feira, 18 de abril de 2013

Deixo meu dia sem cores de alegria


Por momentos inversos, o tempo se fecha um pouco
O cinza esconde a luz natural, o dia que já se foi
As horas confusas não marcam mais o presente

Há um direito humano diante do tempo que muda
Assim como o céu sempre tem cores singulares
Nós, pequenos seres angustiados, podemos também perder o sentido das coisas

Nada sei sobre sentido
Nada sei sobre o silêncio

As palavras pulam feito pipoca com medo do fogo
O coração dita regras sem juízo
O olhar não brilha mais com compreensão

Mas sabendo que o tempo muda
Deixo ser embalada por ele
Deixo as cores voltarem um outro dia

Hoje, permito nenhuma luz entrar
Nenhuma sabedoria me convencer
Por enquanto decido o sol não ver

"Porque há o direito ao grito. Então eu grito." (Clarice Lispector)



terça-feira, 26 de março de 2013

Outono jovial


Deixo os dias cinzentos para o outono
Quero que o mundo tenha as cores do encantamento
Que aquela linha de alegria azul circunde as esferas

Neblina que voa
É sensação de garoa, já perdida
Já rendida
Nas redes dos laços pintados
Nos abraços desconcertados
Nos beijos traçados
Apertados
Até sufocar
Até chorar de pura alegria
Aquela alegria ...
Contida no potinho esquecido
Debaixo da nossa cama
Que ainda nem temos

quinta-feira, 21 de março de 2013

Sem novidade lunar


Procuro pelas horas que já se foram
Percebo a noite que chega sem novidade lunar
A sombra já não altera os sentidos
A visão um pouco turva consegue ver um pouco além da superficialidade
As cores são de tons escuros
A arte já não é o bastante
O brilho não provoca mais contemplação

Não é tristeza
Não é saudade
É reflexão dos pensamentos que estão no limite do próprio pensar
É deixar tudo no lugar
Sem mais interferir
O silêncio reina
A solidão ensina





quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

A solidão que fortalece



Preciso de um tempo a sós
Preciso que a água me esconda, pois sob a pronfundeza do silêncio posso melhor recompor meus sentidos
O sol desses dias me provocou, mostrou-me seu poder, sua fúria diante de minhas ásperas palavras ...
Há uma sentença para minha pessoa, para meu orgulho ferido

Preciso do silêncio das sereias
Um silêncio que esconda o grito, o silêncio do sorriso que camufla a indignação
Preciso de mais tempo na minha cama, abraçada ao travesseiro da minha preguiça lenta ...

Levanto minha bandeira - quem mais estará ao meu lado ?

O canto perdeu sua graça divina
O encanto feriu-me com cordas duras do laço da incompreensão
O sono torna-se melhor, um caminho de descanso dentro da calma em ficar no nada
A mente, confusa, perdeu-se da sensatez que nunca esteve presente de fato.

Durmo até que se mova a terra das flores distantes e toque minha face
Durmo para embalar-me na santa tranquilidade dos dias perdidos
Durmo para sonhar
Durmo para viver daqui a pouco

Acordo sem sofrimento
Acordo com a voz tímida
Acordo para não me perder nos pensamentos

O caminho da navalha vence todos os peregrinos
O caminho se mostra como adversário
O caminho, no entanto, é o que me vence, o que me mata, e o que me liberta...


quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Rainha interna


Mamãe Rainha
Que com suas lindezas de sabedoria nos ensina através das águas profundas que a vida nos impõe
Maravilha de presenaça divina, que com alegria nos permeia do sal, do som que vem das águas

Rainha interna
Deusa eterna em nós
Energia que nos transmuta
Firmeza que opera nos dias sem trégua

Ensina-me mais sobre seu silêncio
Cativa-me para seus braços e abraços, aconchego místico, coração que acalenta
Coloca-me no ritmo dos tambores que tocam a vida, faça-me escutar a melodia que sempre vibra

Oferendas reais
Flores, espelhos e pedaços do coração