domingo, 23 de dezembro de 2012

A lógica perfeita


As pedras antigas em meio a tantas descobertas - Pisaq, Cusco

Encontro equilíbrio perfeito mesmo que por alguns segundos
O silêncio das palavras
Inúteis, se forem pronunciadas
Engolidas no seco da garganta e misturada pelo mantra interno

Alcançar o ponto exato
A pedra que se fixa perfeitamente, sem encaixe
A delicada paciência que me envolve e vence o desejo de tudo lançar ao vento

Observar é sentir com os olhos
Tocar seria como destruir o que outras mãos fizeram
Contemplar sem tato e escrever o que se passou

Acredito que tudo o que existe
Tem sua lógica perfeita
Invisível para alguns, sem textura para outros

E totalmente desprovida de sentido limitado

Vencidos todos os sentidos, derrotadas todas as palavras e
sem mais nada a que se apegar. Assim.
Só e em silêncio
Com a respiração profunda de quem compreendeu

"Não vale a pena, pequena. Não vale a pena"

E o silêncio invade a atmosfera
E as palavras ficam guardadas dentro de rabiscos velhos

E eu avanço mais um pouco






sábado, 1 de dezembro de 2012

O trabalho é interno



Meu universo se expande a medida que olho para dentro
Vejo-me cercada da imensidão entre tantas existências
Sinto-me parte da grandeza do mistério
Sei que há sempre mais

Sempre haverá mais

Há um árduo trabalho para conquistar seu próprio mundo
A força que se desgasta com a ansiedade um pouco cega
A vontade de ver o resultado no momento em que ainda durmo

É preciso um despertar

A desistência torna-se atraente
Cair no sono profundo da ilusão às vezes é uma alternativa menos dolorosa
Deixar ser guiada pelos instintos adormecidos provoca gargalhadas precedidas
de lágrimas que sangram

Torna-se urgente se fazer presente no aqui e no agora

Ficar acordada em meio ao sonho entorpecente é lutar pela própria libertação...
Os olhos pesam
A mente se revela uma assassina do real
Nos confunde e nos presenteia com um véu

Minha essência clama pela sua auto-realização

Só mais um pouco
Só mais uns passos
Só mais algumas chaves...
Só mais algumas cascas para serem arrancadas



quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Uma parte minha



Passei por poucas linhas retas no meu caminho. E confesso minha queda atrativa pelos labirintos. Sou hoje nada convencional. A definição de se encontrar na medida exata ainda não existe e fico a imaginar diante do espelho o que os olhos se recusam a mostrar.

Falo mais do que penso e penso sempre que falo corretamente.
Questiono tudo, anoto muito mais, e no fim tenho mais perguntas.
Saboreio sempre que possível o lado concreto das coisas.
A literatura filosófica, o romance de Agatha Christie.
Fernando Pessoa
me mostrou outras faces. Sempre que posso leio Tabacaria e guardo meus pensamentos como rebanhos. Neruda é o fogo, Dalí é o sonho ...
Meu mundo ficou com horinzontes Lispector e cheio de Meireles.
Drummond
é um amor a cada 5 a 5 minutos...
As crises existencialistas de Sarte me levaram à loucura, Nietzsche me trouxe ao real e ao prazer e com isso passei bons tempos nos bares discutindo a maneira correta de "salvar a humanidade" ou de se salvar da mesma.
Gustave Flaubert me fez mulher, Honoré de Balzac me ensinou a ter mais solidão depois de tantas histórias.
Com Gabriel Garcia Marquez ... e vivi 100 anos de solidão num mundo que só eu conhecia.

No fim de cada livro mudo um conceito, no fim de cada ação mudo a próxima cena, e tudo vai girando como se nada fosse ensaiado.
Minha mente confusa com tantas descobertas, gosta de provar no físico a ciência das coisas ou a magia por trás de todas elas. Não perco a chance, o livro sempre anda comigo, um registro do olhar e tudo fica anotado para a cobrança futura. Cobro atitudes mais humanas e deixo minha humanidade escapar muitas vezes. Minha justiça se torna cruel, minha força quebra alguns conceitos e amigos também.
Falo muito, sou desprovida do bom senso da linguagem, mas luto pela cotas diárias para o uso das palavras. Preciso dessas cotas, urgente.

O trancendental também tem terreno no meu terreiro. Minha fé aumenta sempre que observo um novo raiar. Se literatura me deixa demasiadamente humana, o oculto me deixa divinamente humano e o silênco reina, a paz sobrevive em meio ao caos que toda boa ariana provoca. Assim sou eternamente atraída pelo lado que não conheço. Vi resultados interessantes, vi meu corpo ser reduzido a nada.

Estou descobrindo um mundo maior.

Sou a favor dos animais, dos pássaros sem gaiola. Luto pela liberdade, mas também pela evolução. Evolução pede compromisso, liberdade pede passagem livre. A contradição permanece. E gosto disso.
A música me inebria, música andina, celta e clássica e os anos 80 deveriam ter sido meus. Sim, nasci na época errada, queria ter estado lá nas greves feministas, ter ido a um show do Legião, ter pintado minha cara e ter sido de fato ativa numa ideologia.

Não tenho partido político. Mas acredito na utopia anarquista. Não acredito nas leis humanas, só nas divinas, tenho meus carmas na minha carne. Sou feita do pó das estrelas, mas minha matéria ainda me condena. Peco algumas vezes por isso, e fujo sempre que possível. Encarar minha fraqueza é decididamente doloroso.

Mudo de assunto e sempre escolho o tema do dia. O teatro é ilusão, o sorvete não é atrativo e caminhar alivia meu corpo, não minha alma. Faço meditação e gosto de yoga. Pratico o desapego e não gosto que peguem meus livros nem meu namorado. Gosto do transcendental, sou adepta a algumas Escolas, estudo outras e a natureza me encanta. Tomo ayahuasca.

Quero conhecer o mundo, desde o interno até todas as líguas. Ainda faço tatuagens e coloco uma nova cor no cabelo. O que não mudo escolho esquecer.
Estou aprendendo a calar-me. A sentir mais e ter menos.


Meu mundo vive sempre de cabeça para baixo e é por isso que é tão bonito...









sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Mundo livre meu...



Prometo ter mais forças para levar meu mundo
Prometo ser mais leve e deixar meu mundo vazio da dor
Prometo sorrir mesmo com braços cansados
Prometo ter a paciência de um Deus e ver o fim da batalha

O peso ás vezes amargo de carregar a existência nas costas
O tempo que triunfa e que vence a perspectiva da esperança
Parece cruel a tarefa de continuar
Parece ser infinitamente doloroso o pesado quadro da pintura de nossa arte individual

Mas há um tempo necessário, há uma colheita no porvir
Uma obra para ser realizada, um Dharma a ser cumprido
Mudam-se as cores, mudam-se as estações
Mundos nossos que aparecem no novo raiar da vida

O peso não é mais de tristeza
É alegria em poder mudar a cor da minha pintura universal...

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Doce firmeza




Mas sempre é bom ter um lugar pra descansar
Após tantas divagações

Terra firme
Que segura quem tanto procura
Lugar bom
Com retiro de alívio pra esse coração


 

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Não viver cansa mais



Não é fácil dançar em meio ao fogo
A difícil arte do equilíbrio
O corpo que se queima
A mão que arde na solidão de sua posição em silêncio

Desperto-me para dentro do círculo da vida
Desprendo-me da ilusão de não saber o que se é
Entro no jogo da dança mutante em segundos pertubadores

No medo de fracassar para a perfeição alcançar
Caio num sonambulismo ilusório, no prazer que é finito
A dor é mais intensa quando se retorna ao real

O fogo é realidade suprema que a tudo dissolve com sabedoria
Equilíbrio é a perfeição dos olhos sempre abertos e da mão sempre firme
Corpo cansado de viver é melhor que corpo cansado de sonhar

Não viver cansa mais
Não viver dói bem mais
Recusar a metamorfose é recusar o vento que chega no rosto ao salto dado




sábado, 27 de outubro de 2012

viagem interna



Cuzco - Peru

Entre gritos, sorrisos e história, a solidão
Diante de uma arte perdida, a alegria em encontrar a
pergunta que me escapava

Há um brilho intenso naqueles que vivem com uma mochila nas costas
Viver sem fronteiras possibilita a chance de ser um pouco menos de mim
Nada é meu e tudo pode me pertencer
O céu nas mãos, a trilha por fazer
O cheiro do que ainda não vivi

Aberta a mente, quem a pode limitar?






terça-feira, 16 de outubro de 2012

Sempre foi assim



Minhas idéias abstratas, que me confundem diariamente
Raízes mal seguradas nessa terra que me abandona pelo céu
Folhas que já se foram
Sem frutos, sem sementes, sem mais nada
O pó que volta, o vazio libertador que impera
A dúvida entre não fazer e tudo tentar
A loucura entre ficar ou fingir que está ainda aqui...

E isso é tão delicado
É tão meu, tão desigual, melancólico ...

Coloco-me no palco mais uma vez
Permito-me arriscar novamente
Dou-me mais uma chance de ser
Olho para essas raízes ingratas, que teimam em voar
E olho para o eterno lá em cima, que tudo
faz para me
guiar


obs: um dia moro numa nuvem, crio raízes dançarinas
e provoco tempestade de alegria




 

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

A culpa foi do chão


Chega hora em que quebrar um vaso não é loucura
É apenas o grito em silêncio
A raiva estampada na mudez dos móveis
É o que se extrapola, mas que não foi dito
É a quebra, a queda
O vaso trincado que sempre será lembrado
A culpa do chão, por ser tão duro
A rigidez das palavras descarregadas, o verbo que vira
sangue ou pedaços espalhados
Alguns recuperados, outros nunca mais
A falha na reconstrução
O labor pra deixar novamente cada pedaço em seu lugar
...



sexta-feira, 31 de agosto de 2012

todas as formas de amor


nosso amor a gente inventa

Amor meu tem asas, tem gostinho de vento que bate na janela e que sempre tem lugar para mais uma companhia.
Amor meu tem cheiro de liberdade, tem selo de qualidade, selado divinamente pela evolução.
Amor pode ser preso também, por isso chora, grita com desespero de quem perdeu uma parte da asas.
Mas sempre é só uma parte, pois amor é esperto como gato, vira água rapidinho, um passarinho camuflado de borboleta, vira milhões, que nem sei mais sua origem imemorial...
Amor é céu estrelado, pra vagalume iluminar.
Ilumina com lume, com beleza invisível, com cortesia de um barão sem brasão, com cortejo de circo que acabou de surgir na vila.


Amor sempre surge, ressurge, com sustos ás vezes,
mas susto de criança que vê palhaço engolindo pipas
e distribuindo as asas que foram perdidas...

sábado, 25 de agosto de 2012

É só mais uma pedra




No meio, início e no fim da jornada
Aquilo que preciso vencer
Beleza efêmera
É só uma pedra
Pequena, leve, sem cor exuberante
Nada de atraente
E no entanto, o tropeço torna-se inevitável
Mas ainda é só uma pedra
Dou mais um passo
Vou para o lado, remexo os passos, mudo o andar
Evito correr
Mas é só uma pedra
Mais uma, entre tantas que já ficaram para trás


terça-feira, 21 de agosto de 2012

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Saboreio

O gosto doce da mordida.
O tempero suculento na hora da refeição.
O sabor excêntrico do vinho velho, e bom.
O desejo de saborear os velhos gostos de sempre.
A sensação de prazer diante de uma mesa farta.
A fruta fresca que alimenta a alma.
A carne que fica só no quintal.
A sobremesa beslicada antes mesmo do prato principal.

Meu mundo é um cardápio que não tem fim ...

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Nesses dias não sei quem sou


Nesses dias em que a chuva está fazendo falta, sinto-me como uma planta ao relento
que tira a visão.
Num triste dia sem o bálsamo da água.
Uma força que se esvai pouco a pouco.
As raízes ficam expostas, ou escondidas pelo assombro
do calor dos dias mal terminados.
Uma gota faria diferença.
Um brilho de nuvem encobriria meus pensamentos
repletos de devaneios pertubadores.
Uma chuva singela alimentaria minha alma.
Uma sombra esconderia minhas folhas fracas.
Mas o Sol não perdoa, o clima seco deixa a garganta
sem palavras, sem o som e com isso sem eco
nenhum.
.
Há que se esperar um pouco mais.
Perder algumas folhas e murchar até não sobrar mais nada.
O que fica é só a semente que ninguém vê...

sábado, 28 de julho de 2012

por um amanhã mais colorido


Um lápis que me desenhe em cores invisíveis.
Invisivelmente mudada de cor em cor, perambulando pelas ruas desertas sem orientação.
Desenho-me da cor que escolho.
Escolho a melhor que se destaca nesse quadro branco de tristezas.
Apoio o braço em mãos inimigas e as cores por mim escolhidas
se confundem com as que são impostas.
Um cor que define tudo isso não seria mais do que a cor do amanhã,
que ainda não conheço...


terça-feira, 24 de julho de 2012

my words


Escrevo de maneira que me sinto mais livre com as palavras que existem.
Algumas palavras equivocadas, outras sem sentidos exatos.
Palavras que nem são minhas.
Há palavras desconhecidas, anexadas pelo simples prazer sentido na sua pronuncia.
Outras são amargas como a realidade sem poesia.
Escrevo para dar sentido ao que sou, escrevo para esvaziar a dor.
Escrevo para que a vida fique mais completa, para que a história ultrapasse a memória.
Para que a linguagem no corpo, na face e no ato de escrever sejam uma coisa só...

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Além do que se vê


Não foi por desejo
Foi por necessidade
Não fui egoísta
Fui mais humana
Não vi o depois
E ele chegou
Não quis controlar
E hoje preciso negar
A vida me pediu
E eu obedeci ...

sexta-feira, 13 de julho de 2012

O peso que carrego

O peso do equilíbrio despedaça os instintos terrenos.
Há um peso que preciso carregar, o peso de ser o que sou.
O peso do mundo que conheço e de tantos outros que sei.
O peso da liberdade também deixa vazias marcas da solidão do caminhante.
Marcas pesadas, registradas para sempre na face de quem escolheu.
Relembrando mais uma vez que ilusão é leve, é brilho nos sentidos físicos, é alegria que passa como folha que cai, como orvalho que derrete na escuridão do amanhecer. E que tudo isso, essa doce ilusão, são restos de pedras, de tropeços, pedaços de vida que não ficam no jogo divino.

Há quem diga que tal peso que carrego é fardo desnecessário
Há quem diga que tal peso imposto é a mais linda chave que derruba todas as algemas...

segunda-feira, 9 de julho de 2012

combinando palavras

Em desejos de noites quentes
Com lampejos ardentes

Queima um coração ardente
É um coração de gente

Que sabe sentir
E nem precisa reprimir

Nem rimar
É só mesmo deixar o coração falar

domingo, 1 de julho de 2012

na mesma estrada




Encerrar uma tarefa é continuar à procura de outra.
Não há paradas, não há outras estradas.
O caminho é o mesmo, a visão é que muda, o sentido é que se refaz. 
Encerrar também é continuar de outra forma no mesmo trajeto.
Ou sem forma nenhuma - quanto mais vazio, menos peso pra carregar.
Não é solidão ou falta de jeito com o peso da tarefa finalizada, é sensação de dever cumprido mas também já esquecido... o caminho continua.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Desenvolvendo...



Veja um pouco além do que é terreno
Há um mundo visivelmente preparado
Um pouco mais para ser provado
Apure a visão, melhore os instintos
Prepare-se para o mistério
...

domingo, 24 de junho de 2012

desperta...


O chão produz alimento para os pés, o som é definitivamente silencioso, o ar é purificado com a doce leveza das borboletas. Sentada na pedra mais alta, à espera do que ainda vai chegar, percebe-se o tom perfeito. O mantra que a árvore lança aos ouvidos mais atentos. O sussurrar, a brisa, o eterno sagrado da libertadora percepção...

terça-feira, 19 de junho de 2012

dosagem sagrada


Tomo amor, como tomo café
Todos os dias, em sua porção essencial,
deixa a mente e corpo confiantes
E nosso sistema mais imune ao sono entorpecedor

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Mundo Livre



Mundo que se abre é que nem novidade de verão
Como gotas que deixam a boca macia
Como livro novo finalizado
Como brisa leve de quem viu algo a mais...

domingo, 10 de junho de 2012

cuidado com as perguntas

Minha sinceridade se mostra na minha cara
É que nem livro sem capa
Você sempre lê o que realmente quero dizer

segunda-feira, 4 de junho de 2012

numa sala de espera

Ainda minhas teorias vão me enlouquecer. Percebo o quão inútil é ver meu rosto desfigurado num espelho esprestado. Não sou mais aquela que dita regras, mas aquela que é levada pelo vento forte e alheio. Não mais determino o dia de amanhã, agora o dia passa e a poesia se faz com as horas que não sinto. Não é tristeza, é sensação de estar numa ala que não tem nome, quase numa sala de espera. Uma abertura, um canal silencioso à procura de novas portas com as mesmas pessoas. Não é desabafo, é tentativa de encontrar um pouco mais de força para largar de fato o que já passou. Aqui habita um outro conhecimento, agora uma nova escolha. Talvez fé cega por aquilo que não tenho certeza, talvez apego ao que ainda resta de pensamento muito concreto. Mas decidi avançar um pouco mais para abstração de tudo isso "sem fazer nada disso". Decidi optar pelo oposto e ver até onde meu pés dão seus saltos, de passo a passo. Um passo para longe de mim mesma, ao encontro da loucura de não saber o que se é, e quem sabe, ser um pouco mais do que não sou e me achar assim, perdida no que preciso ser. Loucura - não disse que minhas teorias ainda vão me enlouquecer? ...

quinta-feira, 31 de maio de 2012

o que acredito


E quanto mais ela caminhava, menos se importava com o caminho. Continuar era importante. Sonhar era fundamental. Acreditar na eterna mudança de si continuava sendo o guia que a levava por sendas desconhecidas. As teorias a hipnotizavam e a realidade a torturava. O pensamento saudava o Sol, a mão tremia por tocar o sagrado. Mudança inevitável, espírito livre, evolução irrefutável. Percebeu mais felicidade em ter indiferença, em saber que o amor ainda era impossível no agora, em não mais ouvir, não mais falar. Apenas observar. Ser observada.
Chuva é água já benzida.
Sol é deus que sorri durante o dia.
Lua é mãe que me equilibra.
Poesia é palavra realista, escrita durante os sonhos.
O pessimismo é humano e o humano será divino.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

delicados fios


delicados fios produzidos durante
longos momentos
e uma presa
enlouquecida
quando se vê sem
asas para
voar

segunda-feira, 21 de maio de 2012

decidi voar



E os moinhos deixaram de me assustar
O vento há muito tempo tem me conduzido
pelo ar

quinta-feira, 17 de maio de 2012

e no final tudo acaba


O que foi quebrado
também vira poesia
em melodia que se
fecha
em dia propício
ao isolamento

quarta-feira, 16 de maio de 2012

pensando bem...


esses pensamentos estranhos, nem são meus
são agregados inconsequentes, instalados na mente fértil de quem acredita na doce
fantasia mórbida da rotina que vence toda tranquilidade duramente conquistada por
segundos apenas
não os quero mais, e no entando, não vivo sem
passo assim a acreditar mesmo na grande possibilidade de eu
ser simplementes eles - esses
duros pensamentos estranhos, calcados friamente no cimento do que vejo
do que apenas vejo
ou do que penso que vejo
ou do que crio para pensar que vejo o que vejo
e mudar pensamentos
pode talvez até mudar o que sou
um bom começo para se pensar melhor...


segunda-feira, 14 de maio de 2012

dança dolorida



você vê o brilho da minha dança
mas não vê o suor e meu cansaço.
você vê a leveza do meu corpo
que flutua, a beleza que inebria e
meu sorriso com gargalhadas,
mas não vê aquilo que me fere,
aquilo que me consome,
você ainda só me vê em partes
e eu fico dividida entre o que mostro
e o que quero de fato mostrar: a outra parte.
pois não finjo em ser só metade,
você que se recusa a enxergar
um pouco mais


sexta-feira, 11 de maio de 2012

bom, doce e vazio

desenho meu céu na cor lilás
ao que me parece, bem mais singular
me repito na forma menos convencional
e deixo sempre a abstração do real tomar conta do dia
quase lunar, é radiante não se lembrar de muita coisa
é doce saborear o dia, mesmo que com tristeza
é fácil perdoar
e abrir mão da pequena coisa vulgar

quinta-feira, 10 de maio de 2012

...



Foge de minhas mãos
Tentar controlar o tempo
E mesmo que me recuso a prosseguir
O tempo continua seu caminho

quarta-feira, 9 de maio de 2012

o que ninguém vê



Os lábios se falavam
mas a palavra não saía
Nas mãos que se tocaram
havia um prazer contido no sorriso reprimido

terça-feira, 8 de maio de 2012

pergunta não precisa de resposta

Sinto o que sinto
pois meu coração pulsa mais
que relógio descontrolado

Vejo que vejo pois
meus olhos tem sempre
imaginação ao contrário

O caminho meu é sempre
torto e nunca entendi
essa obstinação por andar em curvas

Mas deixei de entender quando me vi
jogada no buraco
que eu mesma cavei

Hoje não busco mais
por respostas e
nem questiono minhas perguntas

Não é conformismo
Mas uma sensação de indiferença boa
Pois é saber que o caminho continua, independentemente ...

segunda-feira, 7 de maio de 2012

E se não for assim?


 Eu ainda acredito no amor. Acredito que os olhos podem vibrar na mesma sintonia. Que o coração pode encontrar um refúgio tranquilo, nos braços pequenos e sensíveis de poeta, ou largos pela força construtora. Amor é apego ao querer bem, é maçã bonita que sê em árvore solitária, é decidir viver e dividir. Amor não é apego, mas é grudento como cobertor em dia de frio quando quer nos segurar na cama. É chuveiro bom depois da academia, é o Sol radiante depois que passa a noite de inverno. Amor é a própria evolução, está no caminho contrário aos panfletos amargos pregados pelo dia-a-dia.
Eu ainda acredito nesse tipo de amor.
Mas acho que leio poesia demais ou brinco com palavras que não mais existem?
E o tempo, mostrará outro lado quando seu dia chegar?

sexta-feira, 27 de abril de 2012

livremente sou



Eu sou criança borboleta
Com asas soltas na imaginação
E de tanto sonhar acordada
Soltei meus pés do chão

segunda-feira, 23 de abril de 2012

pois quem me controla é o vento

pois
cabeça pesava tanto
que sono dominava o espanto
e quanto mais cansada
menos força pra resistir
...
e a leveza do não mais pensar
do não mais se controlar
fez mais alto eu chegar



terça-feira, 17 de abril de 2012

e tudo não passa de dias desconexos

foto do google
Já entendi o jogo, só não ousava admitir
Existem pessoas que conseguem deletar a falsa idéia
de serenidade e equilíbrio conquistado nos dias isolados

Você venceu
Deixe-me agora terminar mais um trago, mais um copo que          
recusei dias antes, quando sorria com esperança...

segunda-feira, 9 de abril de 2012

chuva boa que leva a dor



A chuva se confunde com as lágrimas
A chuva pesa nos olhos
que se fecham
Melhor assim, melhor nem ver...

domingo, 8 de abril de 2012

Rastros Deixados

Tavez só um nome
Jogado na parede e marcado por atos feios
Ou a marca de quem veio e quebrou tudo o que encontrou

Lembrada pela saudade
Lembrada pela vontade de dizer
Ou pelo grito que ficou escondido na garganta com vergonha

Do que serei lembrada?

Talvez um rosto imóvel diante do mundo
Uma mágoa mal resolvida
Ou um perdão nunca dito

A face de quem lutou
A palavra de quem escreveu
Ou a verdade de quem nada leu

A fuga de quem ficou
O apelo de quem olhou
Ou a solidão de quem encontrou

Como vão lembrar de mim?

A menina que matava aula?
Aquela que queria mudar o mundo?
Ou aquela que tinha o seu próprio particular?

Um sorriso
Um ditado
Um trato com o tempo
Um rastro deixado
Ou apenas uma lembrança pequena, sem importância, sem definições, sem qualquer sentimento que envolva minha imagem...

Um nome apenas, mas que seja então um nome singular
Que faça vir à tona qualquer
mera semelhança com a palavra
LIBERDADE!

segunda-feira, 2 de abril de 2012

outras partidas


É exatamente quando o jogo acaba
Que se começa
outra rodada
Mais cartas, mais lances
Mais 'blefe' necessário
Apostas divertidas
O jogo pede menos de mim
E mais do que
eu gostaria ser

quarta-feira, 28 de março de 2012

É frágil que até estoura


Pequenas bolhas
simples que a vida dá.
Mão delicada, que a tudo
acalma.
Dias rotineiros
levados pela leveza
do cuidado.
Mesmo na distância,
ainda
há o querer
bem.

terça-feira, 27 de março de 2012

pensamentos abstratos

Uma carta não enviada pesa muito mais que os segredos compartilhados. Um sol não louvado é como começar o dia com o guarda-chuva esperando a próxima tempestade. A carta, embebida de sândalo num quarto escuro mistura leveza e incompreensão. Não se compreende o que tem nas mãos, se deseja o que está lá fora. A vida reclusa nas palavras que não foram ditas. O que fica entre as linhas e de poucos sinais, ainda dizem muito mais. E o caminho se segue, a vida não perdoa, o coração continua batento. Tudo na perfeita harmonia de um dia que não sabe o que sentimos. De um dia que nos deixa à deriva na nossa própria solidão cercada de tantas pessoas. Acho que hoje entendo melhor sobre a rotina escolhida por muitos.

Será menos feliz aquele que optou pela sobriedade da existência?
Será mais feliz quem decidiu não decidir?
Será que a conformação não é necesária nessa vida tão confusa?

E a carta, seria sóbrio não enviá-la.
Mas enviei. E no fim, me sinto talvez não em paz, mas me sinto como quem está vivendo, vivendo plenamente, simplesmente. É como ser um pássaro que carrega a história no bico, no olho que olha a sobrevivência, no canto que canta quando quer, e se quiser.

"Não é que vivo em eterna mutação, com novas adaptações ao meu renovado viver e nunca chego ao fim de cada um dos modos de existir. Vivo de esboços não acabados e vacilantes. Mas equilibro-me como posso, entre mim e eu, entre mim e os homens, entre mim e o Deus." (Clarice Lispector)

segunda-feira, 26 de março de 2012

peco em palavras também?


Poucos passos
Um pecado mal feito
Um não ter que dói
Uma realidade que separa
O querer que não se sacia

desprovido de sentido real

Ela observava tudo ao redor e não compreendia quando lhe indagavam os motivos de seus pensamentos vagos. Tudo para ela era vago, tudo era desprovido de sentido real. Nada fazia sentido quando se ia contra seu espírito inquientante, bravamente inquietante. Era temeroso não ter medo, era contraditório. Era liberdade ao extremo, sentida quando ela abria a janela e deixava o vento dar mais graça, renovar sua mente. E pisava na terra mais uma vez, antes de colocar o brilho na boca. Chorava escondida, antes de sorrir para os convidados. O exterior estava vencendo, suas idéias não valiam mais nada. Ela estava crescendo e infelizmente perdendo.


ver a sociedade moldar as pessoas
me dá tontura na cabeça
e ver pessoas moldando as outras
me dá tristeza escondida ...

quarta-feira, 21 de março de 2012

liberdade ilimitada


Não é insubmissão ao sistema
É desejo de viver!
Não é abuso do poder da livra escolha
É a liberdade tomando sua forma!
Não é apego
É desapego pelo que se constrói com notas falsas!
Não é luxúria
É sonho perdido que voltou!
Não é complexo
É humano,
e com isso
inexplicável
...


segunda-feira, 19 de março de 2012

e quando menos se espera ...

Um novo desejo lançado
Um pensamento que domina
Os olhos que conversam entre si
A luta para não dizer nada
O corpo que fala, a mente que se conecta
O outro lado está logo ali
pois sempre queremos mais...


quarta-feira, 14 de março de 2012

Era o medo do incerto, hoje não é mais.

Abrir uma janela na vida era assustador
Encontrar-se com o novo dava medo na cara e
lágrimas tímidas
Podia significar tantas coisas o abrir mais uma janela
que muitas vezes prefiria a doce escuridão de meu
quarto triste, vazio, sem cheiro, mas protegida

Não gostava do incerto
E não saber sobre o que poderia aparecer
Impedia os braços de qualquer movimentação ...



ps: lembranças minhas quando eu acreditava que tudo era limitado,
quando a juventude era um palco sem teatro e a música não tocava mais ...


terça-feira, 13 de março de 2012

casulo que me transforma...


Mas como não se render a tão lindas asas da liberdade?
E o novo me atraiu, o gelo derretou e o fogo apareceu
Mundo estranho, mundo belo, mundo incerto, mundo meu ...
Quadrados que perdem as formas, que dançam loucamente pela busca quase frenética do simples prazer que a liberdade me oferece.
Existe dor, sempre existe dor - colocar asas nos meus pés de barro não
é tarefa fácil, mas quem disse que ia ser?
E tudo isso ocorre porque ainda teimo em permitir que meus pensamentos vão ao impulso do vento fresco, ansioso e vazio ...




terça-feira, 6 de março de 2012

e sempre continua para melhor


não venci Huayna Potosí na linda La Paz, venci a mim mesma ...

ainda o livro agita meus pensamentos
o beijo emociona meus olhos
a fome me levanta da cama
o carinho me faz perdoar
o ar guia meus passos
o querer me impulsiona e a injustiça me indigna
a música me eleva e a lua me inspira
ainda o fazer bem continua como lei, e o bom senso fala mais alto
a mochila para terras distantes não foi guardada
ainda a árvore me cura e o canto me tira do chão
a serpente me mostra a escada
a carta me anima, o tarô ainda é um mistério ...
o segredo está guardado
e o silêncio continua querendo dominar
ainda as leis herméticas me orientam
e a evolução permanece como referência ...
ainda vejo o mundo em formas, mas dia virá que ele será apenas o que é, ilusão ..
ainda fico no aguardo, fico a pensar e me lanço em busca de respostas
e sempre fico em êxtase só de imaginar ...


quinta-feira, 1 de março de 2012

o riso da lágrima perdida



Foi só mais uma lágrima que caiu
Um peso a menos para carregar
  ...
A flor ainda está aqui
O cheiro continua inebriante
  E o amor continua me movendo

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

é mais colorido aqui em cima




Encho meus balões de todo ar
que encontro em você...
Assim, subo tão alto que passo por todos o cimentos
e pelos vazios tristes dessa solidão irritante...

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

E o que sobra de mim então ?

Anular-me em função dos demais não me tornaria melhor. Ver-me ser vencida pelo silêncio obrigatório não me deixaria mais sublime, mais recatada. O tempo não suportaria meu rosto sombrio, escondido pelo sorriso embriagado de quem não consegue ser o que apenas se é. O esforço de me conter diante de uma situação me empurra para longe do que sou e para longe do equilíbrio tão imaginado. Usar palavras coerentes é sinal de sabedoria, mas não dizer nenhuma palavra é o mesmo que apagar a chance de se conhecer um pouco mais, e assim melhorar os erros que tanto agridem os convívios. Pessoas não têm rostos de plásticos, nem corações feitos de peneiras, filtrando a dor que aparece.
Tenho coração de carne que tudo sente, que vê o que os olhos não querem acreditar. Ficar em silêncio seria minha derrota e minha covardia. Gosto das pessoas, mas gosto das pessoas justamente porque sei que o humano é incrivelmente expressivo, incontido, um pote cheio de milagres e de proporções gigantescas de ser capaz de falar, de usar sua expressão para o sentimento mais oculto que sua alma não se cansa de relembrar, tanto na alegria como também na tristeza. É desse humano que gosto. Sim, desse humano mutante, uma lagarta provocante ...

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Linhas escritas

É o dia que surge com a luz em movimento
É o ontem que acabou, finalizado em suas 24 horas
O escuro perdeu a forma
A bruma se desviou para outro lugar
E o olhar enxergou mais um ponto obscuro
As palavras marcadas na prece de quem não disse nada, apenas sentiu ...
Observar o observado, esticar o horizonte, linhas escritas em cada
ângulo que os olhos colocam sua força ...


Imagem: Google

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

; ainda escondida ;

Chuva que lava o corpo é a mesma que pode deixar a mente mais quieta, provocando a nostalgia. Fazer eu ver, eu relembrar. E minhas promessas? Por onde estarão andando? E minha lista das mudanças para mais um ano, onde estará escondida? Difícil de reconheer, mas sei da minha dificuldade na terra, nesta terra dura, infiel e ao mesmo tempo tão bela como doce misturado ao amargo. Conheço o caminho, mas o não caminhar é a mais cruel das minhas atitudes. Não me observar me coloca num quarto escuro, sem mãos que me guiam, sem justifcativas que sejam aplausíveis. Não ver a mudança torna minha consiência estupidamente paralisada e com uma certa vergonha de continuar as leituras complexas sobre a evolução humana. Mas a chuva também alivia, agrada a alma e me deixa livre e vazia para mais um começo .... assim espero, sempre espero.


Imagem: Google

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

História em papéis

Os papéis velhos que contam histórias.
Registros de um tempo que foi marcado por uma outra tradição. História de mulheres que precisavam de procuradores homens, por não saberem escrever ...
E de homens simples que nada entendiam sobre "ser dono" do que era seu ...
Registros de escravos, com alforrias nas mãos buscando um pouco mais de liberdade ou donos de terras fazendo seus registros desesperadamente tentanto encontrar seus preciosos bens que corriam e se escondiam nos matos e nos quilombos
Uma letra, muitas artes
Um documento que revela um processo, um imaginário que busco sempre entender ...



Sou historiadora - busco sentimento em letras e grafias nesses papéis amarelados com o tempo, um tempo bem longo, distante de tudo o que há aqui ...

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

. já aconteceu .

E de tanto andar em círculos o caminho vai se tornando conhecido.
Os próximos passos já perderam a graça que o mistério tem, os mesmos ventos
que empurram para o mesmo lugar, as mesmas placas.
Nada é tão injusto como criar o vício de rodear a
nossa própria existência, ficar perambulando em torno dos
pensamentos que já passaram.
A fuga para o que já aconteceu. 
Tamanho sofrimento nesses círculos de espinhos que já sentimos, que criam iscas de dor para que voltemos nossa atenção para eles e novamente por ali, passar naquela mesma pegada.
E tudo continua como exatamente se encontrava. E se encontra ...



Imagem: Google